Não recebi educação para
mentir desse jeito,
Mas, talvez, aqueles que me
ensinaram o tenham feito;
Eram tantas restrições e
tantos adágios,
Não os ocorreu que a
densidade leva ao naufrágio.
Gostaria de não ter a
consciência tão pesada,
As promessas à Camarilha
levaram ao nada;
Visava ser fácil construir
alguém adamantino,
Destruí minha inocência, para
seguir como paladino.
Jovem e achando que poderia
me achar,
Mergulhei num deserto de
miragem secular;
Se pudesse me controlar
seria incontrolável, pensava,
Mas o controle no peito
funciona como clava.
Olvido, absorto nas severas
reflexões do entono,
Não havia como fugir, no
inverno não há outono;
Então, teve de ser tomada,
a eterna decisão,
Era chegada à hora de
vencer o mal da inumação.
Cumpri o ultimato ao
despotismo enviado,
Depois de admoestado,
calado e seviciado;
Ulterior ao sofrimento,
veio o meridiano da ubiqüidade,
Mas seguir a perfeição é
devanear a realidade.
Na memória das outras
pessoas está o melhor de mim,
Ao povo pertencem todas as
palavras e anexins;
Meu presente é um presente,
doado a cada gesto,
Faz parte da minha vontade,
do meu querer, do meu protesto.
Sibilando e aspergindo,
sempre em busca da cura,
Depressão compulsiva é uma
doença, não uma postura;
O atavismo palmário,
destoando estridente,
Está no destino, e o fim é
real, certamente.
Porém, os vestígios estão
vivos, circulando no interior,
Dentro das coisas que
escolhi tudo tem o seu valor;
Sempre disseram:
“Concentre-se rapaz, não seja evasivo,
Você sente demais, e isso é
um perigo!”
Mas quando o coração supera
o próprio pensar,
O que os outros vão
perdoar, e o que vão castigar?
O verdadeiro grande trunfo
dos ilusionistas
É saber que todas as
ilusões não deixam pistas;
O que fui e o que sou... É
a minha identidade...
Deus me fez assim... Esperança
e Vontade!
Por mais que ainda caia, meu coração não se cansa...
JBSantos - Avatar da Esperança